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   Imigração judaica no Brasil      Uma língua dos judeus   
 

Imigração judaica no Brasil - cronologia
 
 
A periodização aqui adotada foi extraída do livro Estudos sobre a Comunidade Judaica no Brasil, de Nachman Falbel. A divisão é baseada em três grandes períodos: colonial, imperial e republicano, segundo o seguinte esquema cronológico:

I. Período Colonial (1500 – 1808)

  1. 1500-1591/5 – compreendendo os inícios do estabelecimento dos cristãos-novos até a Primeira Visitação da Inquisição no Brasil.
  2. 1591/5-1624 – compreendendo a Segunda Visitação da Inquisição no Brasil (1618-1619) até os inícios da conquista holandesa.
  3. 1624-1654 – compreendendo o período do domínio holandês no Brasil que permite a livre expressão da religião judaica nas regiões onde os batavos dominaram e a criação das primeiras comunidades judias em território nacional: Tzur Israel (Recife) e Magen Abraham (Maurícia).
  4. 1654-1774 – compreendendo a expulsão do invasor holandês e a conseqüente destruição das comunidades judias. Ao mesmo tempo, a inauguração de uma grande atividade inquisitorial de perseguição aos cristãos-novos em todo o território brasileiro até a política do Marquês de Pombal em relação à Inquisição.

II. Período Imperial (1808 – 1889)

  1. 1808-1822 – compreendendo a Abertura dos Portos e a conseqüente liberdade religiosa, e no qual os primeiros judeus, no período contemporâneo, começam a vir ao Brasil até o início da grande imigração da África do Norte na região norte do Brasil.
  2. 1822-1848 – dos primórdios da imigração judaica no século passado até a formação da primeira comunidade organizada, a Associação Israelita Shel Guemilut Hassadim no Rio de Janeiro.
  3. 1848-1889 – compreendendo a imigração dos países da Europa Ocidental e Central devido às revoluções de 1848 e a decorrente da guerra franco-prussiana até a Proclamação da República.

III. Período Republicano – 1889 até nossos dias

  1. 1889-1904 – compreendendo a imigração de 1891 e os projetos de colonização dos inícios da República, sem mencionar anteriores, e os inícios da Jewish Colonization Association no Rio Grande do Sul.
  2. 1904-1914 – compreendendo os inícios da colonização J.C.A., em 1904, em Philippson; a colonização agrícola no interior promovida pelo governo do Estado de São Paulo em Nova Odessa, Jorge Tibiriçá e Campos Salles em 1905 e a imigração da Europa Oriental.
  3. 1914-1933 – compreendendo a grande corrente imigratória da Europa Oriental e a formação das instituições comunitárias (religiosas, beneficentes, sociais, culturais, educacionais) nos diversos Estados do país.
  4. 1933-1945 – compreendendo a imigração dos judeus dos países de língua alemã (ascensão do nazismo) e da Itália fascista; as transformações políticas internas do país e suas conseqüências em relação aos judeus; a integração cultural da segunda geração de imigrantes, etc.
  5. 1945-1957 – compreendendo a imigração de pós-guerra, a formação do Estado de Israel e a nova imigração do Egito e Hungria (decorrente da Guerra do Sinai em 1956 e o Levante da Hungria). A modificação política interna com a queda da ditadura de Getúlio Vargas; a ascensão econômico-social com o desenvolvimento do país a partir da Segunda Guerra Mundial.
  6. 1957 até hoje – a nova comunidade e o ingresso de novos imigrantes vindos de países da América Latina e outros lugares e sua caracterização.

Imigração judaica em São Paulo

Com o estabelecimento da família imperial portuguesa no Brasil, houve uma grande mudança na política imigratória relativa aos judeus. De fato, quando João VI proclamou, em 28 de janeiro de 1808, a Abertura dos Portos às Nações Amigas e assinou um tratado comercial com a Inglaterra, em 1810, passou a ser favorecido o ingresso de elementos estrangeiros no Brasil, dentre os quais muitos judeus.

Entre os judeus, havia os provenientes da Inglaterra (que, em conseqüência do tratado de 1810, gozavam da liberdade de religião), Alemanha e, na segunda metade do século, uma acentuada onda migratória vinda da Alsácia-Lorena (que, no final do século, passou a organizar-se em uma comunidade própria.

A comunidade judaica, constituída pelos imigrantes que vieram da Europa Oriental e Central, bem como aqueles provenientes dos países do Oriente Médio e do Norte da África, começou a se estruturar em São Paulo no início do século XX. Muitos se estabeleceram, ainda no final do século XIX, em cidades do interior de São Paulo como Franca, Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, Rio Claro, Franca, Piracicaba; capítulo especial dessa imigração foi a vinda de judeus da Europa Oriental para a colonização agrícola em Nova Odessa, interior do estado de São Paulo, a partir de 1905. Mais tarde, muitas dessas famílias vieram para a cidade de São Paulo, onde participaram da criação de várias instituições da comunidade judaica.

Esses imigrantes judeus passaram a se integrar na sociedade brasileira, participando ativamente da vida cultural, política e econômica do país e assumindo as mais diversas ocupações: de comerciantes a profissionais liberais; de cientistas e médicos; de artistas a intelectuais. Muitos deles se tornaram personalidades de destaque em suas áreas de atuação.

Na cidade de São Paulo, nas primeiras décadas do século XX, boa parte dos judeus asquenazim se estabeleceu no bairro do Bom Retiro, enquanto muitos sefaradim foram morar e trabalhar nos bairros da Mooca e do Brás.

No início da década de 1930 havia em São Paulo entre 15 a 20 mil judeus. Estima-se que atualmente esteja em torno de 60 mil somente no Estado de São Paulo e cerca de 100 mil em todo o Brasil.

A comunidade judaica em São Paulo estabelece um constante diálogo com a cidade que a acolheu ao mesmo tempo em que procura manter e preservar sua cultura e suas tradições.



Breve cronologia da História da imigração judaica no Brasil


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